20 Novembro 2006

ÉTICA E EDUCAÇÃO

Carlos Joel Fortes de Lima
Professora Orientadora: Vera Filipin

Centro Universitário Leonardo de Vinci – UNIASSELVI.
Normal Superior/ Séries Iniciais (NFD 2101) – Fundamentos da Educação:Temas Transversais e Ética
23/11/06

RESUMO

A ética na educação está ligada à idéia de cidadania, principalmente no que se refere aos direitos e deveres das pessoas perante a sociedade. Está presente em todas as relações humanas, ética e moral se definem como um conjunto de costumes e valores de uma determinada sociedade que devem ser seguidos pelos seus membros. Uma educação ética proporciona a participação nas discussões públicas e das questões que atingem direta ou indiretamente a vida dos educandos e dos outros.

Palavras-chave: Educação; Ética; Escola.


1 INTRODUÇÃO

No Brasil a partir da década de 80 ocorreu uma grande mudança na vida social ocasionando rachaduras no modo de funcionamento das instituições. E com o desenvolvimento das novas tecnologias e a modernização, o relacionamento entre as pessoas passou a ser por interesse, descartando a ética nas suas relações. Diante disso, o educador sente-se responsável pela transmissão de valores e ao mesmo tempo pela educação da liberdade dos educandos, que questionam tais valores.


2 A QUESTÃO ÉTICA NA EDUCAÇÃO ESCOLAR

Raras são as vezes que se ouve falar em ética pedagógica, principalmente entre os professores e educandos. E para suprir essa lacuna sobre a questão ética na educação escolar surgiram os parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) que apresentam os temas transversais, enfocando temas gerais como: ética, pluralidade cultural, meio ambiente, saúde, orientação sexual, etc.

Alguém falou em um debate no grande grupo, sobre fundamentos da educação, do curso Normal Superior, durante as aulas de educação a distância em Coronel Bicaco, que a classe mais sem ética seria a dos professores e que nas demais categorias profissionais existe ética. Foi citado o caso dos médicos, que existe ética dentro dessa profissão.

Existem muitos professores que são éticos, mas ao longo de meus 28 anos como professor, pude constatar essa falta de ética entre os docentes. Professores falam mal dos colegas dentro da sala de aula, culpando-os pelo mau aprendizado e pela dificuldade que os alunos apresentam diante de determinadas disciplinas, culpando o professor anterior. Funciona mais ou menos assim: os professores culpam os alunos, que culpam os professores, que culpam os pais, que culpam os professores, que culpam o governo, que culpam os professores, que culpam a sociedade, e assim por diante, estabelecendo-se um círculo vicioso, onde ninguém quer assumir a responsabilidade.

Uma máxima muito freqüente no meio escolar ilustra esse processo com clareza: “se o aluno aprende é porque o professor ensina”; “se não aprende é porque ele é burro”. Ao mesmo tempo em que responsabilizamos o professor pelo sucesso escolar, o isentamos inteiramente do fracasso.

Sempre acabamos colocando a culpa nos alunos problemáticos como causa do fracasso escolar, quando deveria ser uma mola propulsora para uma ação pedagógica que desafiasse para uma solução satisfatória.

Acredito que para haver um melhor aprendizado, o educando precisa estar consciente que a responsabilidade não é só do professor, mas do bom relacionamento professor-aluno, aluno-professor, sendo o professor um mediador do conhecimento, aquele que instiga e desafia os alunos a aprender.

Um outro fator que dificulta a aprendizagem é que os alunos não sabem para que serve o que estão estudando.

De acordo Hadji (2000, p.48), “esse é um dever ético na nossa profissão: expor aos estudantes para que serve o aprendizado”.

Muitas vezes o conteúdo não correspondem aos anseios dos estudantes, alheios à sua realidade, necessitando de ressignificação e apresentado de forma fragmentada. Os alunos aprendem rápido aquilo que gostam e está inserido no seu mundo, que faz parte de seu dia-a-dia, que está de acordo com suas vivências, com sua realidade.

O baixo rendimento e a indisciplina dos alunos devem ser compreendidos como efeitos sintomáticos das práticas escolares, nunca como suas causas. Existe uma crise na relação professor-aluno nesses dias em que estamos vivendo. Ou seja, quando não se tem clareza quantos aos limites e possibilidades da ação escolar e o seu lugar como educador, a clientela passa a ser tomada como obstáculo, empecilho, problema. Até quando isso vai persistir no contexto escolar brasileiro?

É no espaço das salas de aula, no cotidiano entre professores e alunos que a ética ou a falta de ética está presente com maior força. Há muitas vezes gritos e enfrentamento entre professores e alunos quando deveria haver diálogo para resolver as questões enfrentadas.

Para Siegel (2005, p.41), “os educadores e educandos vivem na prática uma visão paradoxal sobre valores e os princípios da ética. A saída para esta situação é repensar e entender a ética de maneira diferente”.

Uma prática muito comum em nossas escolas é a de mandar os alunos para fora da sala de aula ou encaminhar para a sala do diretor, por qualquer probleminha, que poderia ser resolvido, se houvesse o diálogo e negociação. Mas optamos por uma medida excludente mandando o aluno para fora da sala de aula. A falta de diálogo entre professores e alunos é uma das causas de confronto dentro da sala de aula.

Segundo Paulo Freire (1987, p. 82), “o educador não é apenas o que educa, mas o que, enquanto educa é educado, em diálogo com o educando, que ao ser educado, também se educa”.

O diálogo só vai acontecer se professores e alunos se respeitarem mutuamente. E isso será muito importante não só para resolver os conflitos, mas para haver uma boa interação entre professor-aluno-colegas, que com certeza repercutirá numa melhor aprendizagem.

Educar com ética é tentar melhorar o relacionamento entre alunos, professores, funcionários da escola e pais de alunos, contribuindo para uma convivência pautada pela justiça, pela solidariedade e pelo respeito mútuo.

Para que a educação seja ética, temos também que resgatar valores de “solidariedade, de fraternidade, de respeito às diferenças de crenças, culturas e conhecimentos, de respeito ao meio ambiente e aos direitos humanos” (AHLERT, 1999, p. 151).

Há algumas situações, em que os alunos são desrespeitados, humilhados muitas vezes, e fica por isso mesmo. Então perguntamos, por que será que fulano não está vindo para a escola? Não podemos esquecer que são alunos que precisam de carinho e afeto. E se tivermos com eles um relacionamento de respeito, sem discriminação, será sem dúvida, decisiva para uma aprendizagem mais significativa e para sentirem-se mais feliz no ambiente escolar.


3 CONCLUSÃO

Concluímos dizendo que é necessário muito debate e reflexão em torno do tema Ética na Educação, para que possamos construir valores e normas que venham dignificar e tornar a comunidade escolar mais solidária, mais fraterna e mais feliz.


4 REFERÊNCIAS

AHLERT, Alvori. A eticidade da educação: o discurso de uma práxis solidária/universal. Ijuí: UNIJUÍ, 1999. Coleção fronteiras da educação

CHARLES, Hadji. A coragem de ousar. Nova Escola. Ano XV, n. 138. São Paulo: Ed. Abril, Dezembro 2000.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

SIEGEL, Norberto. Fundamentos da educação: Temas Transversais e Ética. Associação Educacional Leonardo da Vinci (ASSELVI). – Indaial: Ed. ASSELVI, 2005.